HOMESICKNESS

 CASA-MUSEU SOLEDADE MALVAR 10-24 NOV. 2017.

terça a sexta / tuesday - friday : 
10h00 - 13h / 14h - 17h30
website

HOMESICKNESS
Exposição colectiva com: Ana Cláudia Silva, André Macedo, Diego Bernaschina, Fátima Abreu Ferreira, Gian Cruz, Hugo Pereira, Johannes Gerard, Juan Alberto Negroni + Iván Antonio Negroni, Kushtrim Zeqiri, Mar Catarina, Mário J. Negrão, Miguel F, Patrícia Pinto, Paul Wiersbinski e Rogério Ribeiro

Partindo da sugestão temática “homesickness”, várias perspectivas de diferentes criadores se abrem. Mais do que uma exposição de fotografia ou vídeo, é um agrupar de visões pessoais, tantas quantas o seu número. Imagens. Melhor aqui será falarmos de statements e obras não literais, porque nem o olhar curador se pode permitir a condicionamentos a algo de hermético, dado que o conceito se abre, fazendo-se a si abrangente. Tudo aqui obriga a um segundo olhar e à abertura de vermos o outro.

ANA CLÁUDIA SILVA
O MEU MUNDO AGORA É OUTRO

A casa onde habito, que me espera ao final do dia, não tem qualquer significado para mim. Depois há as casas de outras pessoas à qual sinto que sempre vivi ali. Mas, tal como diz a canção: Geografia onde fica a minha casa? E que significa não ter poiso, não ter nada?*. Estas casas apenas respiram a vontade de permanecer, de resistir a um tempo que é só delas. Se calhar têm saudades de ser uma casa como já foram outrora. Eu, a cada regresso, só anseio habitar ali, naquelas pedras despidas. [* Joana Barra Vaz – Casa é Canção]

ANDRÉ MACEDO
S/T

Como homem do Douro, o rio Douro é tudo para nós, não é apenas mais um rio, é a toda sua envolvência e principalmente a sua gente. Fizemos 897km de rio, é marcante, sabendo que o rio é tudo para nós. Esta fotografia que nos pára no tempo, mexe com as nossas memórias e sentimentos.

 DIEGO BERNASCHINA
LONELINESS

This work represents a presence of the loneliness of the long-lived man. As well as a miserable of society that prevents from having a good benefit for the elderly in a situation of poverty. Disadvantage in nutrition, access to health, economy, etc., for well-being of the direct distribution of income income corresponding to the whole population, especially of that culture of social poverty.

 FÁTIMA ABREU FERREIRA
SANTIAGO

Para Esposende, o mar sempre foi algo primordial, detentor da vida e da morte de uma comunidade que se foi construindo à força dos braços dos pescadores e dos pregões das peixeiras. Com a entrada na “antiga” CEE esta comunidade foi apoiada beneficiando de grandes investimentos no sector da pesca. Surgiram subsídios para novas embarcações e melhoramentos na barra e na lota e, consequentemente, o comércio cresceu e a cidade desenvolveu-se. No entanto, os anos do e novos problemas surgiram: a falta de incentivos aos jovens envelheceu a profissão, a necessidade de sérias obras na barra direcionou embarcações com grande capacidade monetária para outros portos de abrigo e as asfixiantes normas impostas pela União Europeia condicionaram a pesca do meixão e da lampreia no rio (principais fontes de rendimento actuais, apesar de ilegais). Posto isto, a actual proposta de trabalho pretende avançar com o retrato das mencionadas dificuldades mas, também, das ligações ao mar e da resiliência destes pescadores que, muito à semelhança de Santiago (personagem principal de “O Velho e o Mar” de Ernest Hemingway), apesar de todas as dificuldades, não desistem das suas raízes.

 GIAN CRUZ
TROPICALITIES

here lies a profound economy and ecology between nature and our sexualities. The multiplicities of possibilities and elsewheres rest on a crucial peripheral states of queerness, which often resounds a certain natural course. More often the unanswered and ambiguous aspects of human nature have to themselves a currency of peculiar truths resting in nature itself. Libidinal tropicalities is an exploration of these peripheral terrains through the varied imprints of nature and how it creates a language of its own and invites further curiosity more than meets the eye but one that instills looking beyond the confines of something material but more over instinctive and something beyond the quantifiable. It also serves as a topographic enquiry to some extent but it also is sensitive to the volatility of nature’s elements hence its indistinctness and constantly shifting realities. Meanwhile, in response to the theme of “Homesickness” these deeper inquisitions in line with topographies and peculiar set of topicalities also posit an important question of what represents home to me. In such case, it is easily highlighted by the flora around me specifically those endemic to my country and those things often affixed to the terrain I call home is explored further in this visual narrative which also seeks to explore sexualities. It presents also a strong sense of place wherever I may be and how this notion of tropicality infiltrates my being and how these peripheral terrains evoke the very essence of myself and the people that can relate to these peculiar set of tropicalities.

 HUGO PEREIRA
A PRELUDE TO HOMESICKNESS

Há todo um ritual perante a ideia de partida. Poderá existir o instinto da inércia ou o de deixar para trás uns quantos nós. Se se sente saudades então não se partiu inteiramente. Mas não se subestime estas saudades de casa que, na sua versão em inglês, carregam ares de doença, pesando sobre o corpo e esvaziando a alma.

 JOHANNES GERARD
FAR DISTANCE

The lonely memories and thoughts about a faraway home. Hidden behind the horizon of sea and sky. The semi nakeness of the woman is a metaphor for how vulnerable we are when missing home and nobody there to share our thoughts.

 JUAN + IVÁN ALBERTO NEGRONI
ESTOY BUSCANDO A PUERTO RICO

By presenting three different images attached to Puerto Rico, this explores the idea of identity. The notion of the globalized vision of culture, the individual connection with one’s personal surroundings and the imposed idea of identity based on almost extinct traditions and regionalisms.

 KUSHTRIM ZEQIRI
MOLE-CURE

I have imagine a type of molecules that have falling in Earth to cure burned zones. So, this show the future interplanetary connection.

 MAR CATARINA
O AR

Foi em Outubro quando reparei numa árvore solitária que ficava em frente à cafetaria. A sua solidão era equiparável à minha quando caminhava sozinha para os hotéis à noite. Cada semana ficava num distinto mas todos eram iguais, só que em cada novo enchia um pouco mais o vazio que sentira no anterior. Não foi até passado um mês, que reconheci o que me acontecera: naqueles dias só o ar me alcançava a tocar.

 MÁRIO J. NEGRÃO
S/T

A sensação de ausência que, por vezes, se esconde nas mais pequenas fracções de tempo, nos segundos  quando não se é notado – obra, fidalgo e transformação – “Cai luz na água dos teus ombros / pinta, pinta, de sorriso o mundo molhado da virtude!

 MIGUEL F
CASA LAVA, CASA TERRA

A saudade emerge, tantas vezes, da descoberta. Não essa saudade  malfadada, mas uma chegada inquieta que afaga e rompe das entranhas da terra num tremor que nada teme. Saudade não é coisa de futuro, mas há saudades do futuro. Descobrir que sentimos falta de lugares onde nunca estivemos é como desenhar desejos . Entre uma viagem e uma mudança de casa,  casa lava, casa terra é parte de um ensaio fotográfico sobre a falta que nos faz um lugar chamado futuro.

PATRÍCIA PINTO
NUM DIA EM QUE VOLTÁMOS

Sentimos saudades dos cheiros, dos sons, da brisa quente e da brisa fria. Sentimos saudade de quem habita e dos hábitos. Quem constrói as casas são as pessoas. As paredes erguidas para descansarem e alimentarem-se absorvem a vida que testemunham. Os meus avós construíram esta casa na aldeia onde nasceram há mais de 70 anos e desde de então foi a casa de toda a família. A casa está desabitada até que a saudade aperta e voltamos.

 PAUL WIERSBINSKI
TEEN QUEEN ME

It is not the time to be tender anymore but to mold the within. A home for the stinger of strangeness. A discordant twin with the melted face. A song of two roads. Shards of selflessness evaporating. A rippled village pond of rapture. Colorful lametta covering the keloided soul.

 ROGÉRIO RIBEIRO
S/T

Com as palavras de Wittgenstein gravadas na memória – “If you want to go down deep you don’t have to travel far, in fact you might not even need to leave your immediate surroundings” – considerei que esta ideia poderia ser interessante para orientar uma prática fotográfica. Fi-lo durante alguns anos, representando apenas aquilo que me rodeava consecutiva e excessivamente. Procurando tudo num só lugar. Aquilo que proponho nestas novas imagens será uma saída da minha zona de conforto – uma fuga ao familiar. Procurar o mesmo num outro lugar.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

Anúncios